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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 6 Mar (Reuters) - As taxas dos DIs voltaram a fechar com altas fortes nesta sexta-feira, próximas dos 20 pontos-base em vários pontos da curva a termo, novamente impactadas pela aversão a risco dos mercados globais em função da guerra no Oriente Médio.
Ainda que o dólar tenha cedido ante o real, o dia foi de avanço das taxas futuras. No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,17%, com elevação 19 pontos-base ante o ajuste de 12,978% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,905%, com avanço de 21 pontos-base ante 13,692%.
As variações acumuladas na semana -- a primeira desde o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã, no sábado passado -- mostram o tamanho do estrago causado pelo conflito na curva brasileira. A taxa do DI para janeiro de 2028 subiu 55 pontos-base no período, enquanto a do DI para janeiro de 2035 disparou 59 pontos-base.
Por trás do movimento estão dois fatores principais: a busca dos investidores por segurança, o que penaliza ativos de renda fixa de países emergentes, e receios de que a disparada do petróleo impulsione a inflação em todo o mundo, incluindo no Brasil.
Durante a madrugada desta sexta-feira, a notícia dada pela Reuters de que os EUA avaliam a possibilidade de intervir no mercado futuro de petróleo segurou os preços, mas já pela manhã a commodity exibia ganhos firmes, superando os US$90 o barril.
Neste cenário, as taxas dos DIs voltaram a disparar, com o prêmio do contrato para janeiro de 2028 atingindo a máxima de 13,245% (+27 pontos-base) às 11h40.
As preocupações em torno do impacto inflacionário da guerra no Brasil mantiveram as dúvidas sobre a Selic, hoje em 15% ao ano, com as apostas dos investidores divididas entre um corte de 25 ou de 50 pontos-base da taxa básica este mês.
Antes da guerra, a precificação era claramente no sentido de 50 pontos-base de corte, com alguma chance até mesmo de redução de 75 pontos-base -- possibilidade que desapareceu.
O avanço firme das taxas dos DIs nesta sexta-feira persistiu a despeito de, no exterior, os rendimentos dos Treasuries terem desacelerado pela manhã e virado para o negativo à tarde, na esteira da divulgação do relatório de empregos payroll de fevereiro.
O documento revelou o fechamento de 92.000 postos de trabalho nos EUA, após criação revisada para baixo de 126.000 em janeiro. O número negativo surpreendeu os economistas, que esperavam uma abertura de 59.000 postos em fevereiro, conforme pesquisa da Reuters.
Os dados de emprego, muito piores que o esperado, tornaram o cenário de política monetária dos EUA ainda mais nebuloso, já que o Federal Reserve terá que ponderar, de um lado, os efeitos inflacionários da guerra e, de outro, o possível enfraquecimento do mercado de trabalho.
“Do ponto de vista de política monetária, o número mais fraco e as revisões negativas podem contribuir para reabrir espaço para cortes de juros (nos EUA), especialmente após uma semana em que o mercado havia reduzido significativamente essas apostas”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito após o payroll. “Ainda assim, o cenário permanece marcado por elevada incerteza.”
Às 16h39, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 6 pontos-base, a 3,542%. Já o retorno do título de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 3 pontos-base, a 4,119%.